Buenos Aires dispensa apresentações. Mas seus arredores muitas vezes não recebem a devida atenção que merecem. Acredite, existem lugarem bem interessantes quando você sai um pouco da região central da Capital Argentina. Um desses locais é a fantástica Delta do Tigre, localizada na Grande Buenos Aires. Fica à apenas 40 minutos de trem do centro e é um passeio que merece um dia inteiro por lá, para apreciar a vista e muito do que a cidade tem à oferecer.

Entre belas paisagens, rios, ilhas e um mercado central, Delta do Tigre é uma visita obrigatória para quem está em Buenos Aires. Fomos visitar a cidade e iremos contar um pouco do que encontramos por lá.

Indo de Buenos Aires até Delta do Tigre

Acredite quando eu digo que o melhor meio de ir para Tigre, partindo de Buenos Aires, é de trem. É uma viagem bem rápida e tranquila.

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Os trens que vão para Tigre partem da Estação Retiro (Linha C). É a ultima estação dessa linha. Vindo de outras linhas, faça a integração com a Linha C sentido Retiro e desça no final dela. De lá você vai embarcar nos trens operados pela Mitre.

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Se você está utilizando bastante o transporte público de Buenos Aires, você provavelmente deve ter adquirido o cartão “SUBE“. É um cartão onde os créditos valem para o metrô, ônibus e também os trens da cidade.

Ao chegar em Retiro, você pode adquirir as passagens para o Trem ou colocar créditos (se não tiver, claro) em seu cartão e passar pelas catracas. DICA: Se você adquirir a passagem, lembre-se de guardá-la até desembarcar na estação Tigre, pois você precisará apresentá-la. Se você pagou com o cartão, você paga uma pequena taxa para embarcar na estação Retiro, e paga novamente ao desembarcar na estação Tigre. O mesmo acontece no percurso de volta.

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Uma outra opção um pouco mais turística é utilizar o Trem de la Costa (Trem da Costa). Ele também parte da estação Retiro, mas dessa vez você não deve pegar o trem sentido Tigre, e sim o que vai sentido Maipú. Nesta estação é feita a troca para o trem turístico que te leva por mais algumas estações, margeando o Rio Paraná e passando por vegetação nativa.

O percurso possui algumas paradas, e você pode descer em todas e embarcar em outro trem com o mesmo ticket. Uma das paradas é em San Isidro, onde a catedral é o atrativo principal da cidade, e aos finais de semana existe uma feirinha “hippie” nos arredores. Bem da verdade o Trem de la Costa não é tão diferente do trem que vai direto à Tigre, e no final das contas é mais caro pra não ter uma grande diferença no percurso.

Tigre

Tigre está localizada em uma parte do Delta do Rio Paraná. É uma região bem rica, onde a Alta Classe de Buenos Aires possui suas residências ou suas casas de veraneio. Não é difícil encontrar em Tigre campos de Golfe, Polo e diversos outros esportes “finos”, vamos chamá-los assim.

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A área possui rios, igarapés e ilhas. Além disso, da cidade é possível pegar um barco partindo da estação fluvial para um passeio ao redor das ilhas. Em muitas delas existem parques e áreas para piqueniques, onde você paga uma entrada e passa o dia todo nela.

O que fazer em Tigre?

Opções não faltam. Existem muitos passeios pelo Delta, e isso realmente se tornou um negócio na região. Você pode escolher embarcações que te levará por um passeio por toda a região, com guias explicando cada ponto do trajeto. A duração e o percurso varia de acordo com o pacote adquirido, então veja bem quais adquirir, pois os mais curtos acabam não levando os turistas para conhecer (ou pelo menos contornar) as ilhas da região. As embarcações saem da Estação Fluvial e algumas do Puerto de Frutos.

Além disso, existe o Passeio Vitoriano, que possui muitos pontos interessantes para quem vem pela primeira vez conhecer o bairro de Tigre. Entre os locais estão diversos clubes de remo, a Estação Fluvial e o edifício do Yatch Club. Além disso, é um excelente local para encontrar bons restaurantes, bares e excelentes jardins.

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Nosso Roteiro

Conhecer os diversos pontos turísticos e as atrações de Tigre não é algo muito complexo, mas nem todos os passeios ficam próximos um dos outros. Na verdade alguns estão em direções bem opostas. Por exemplo, Se você pretende ir do Passeio Vitoriano até o Puerto de Frutos ou à Estação Fluvial, saiba que eles ficam completamente separados e longe uns dos outros.

Ah. Então quer dizer que não dá pra fazer tudo no mesmo dia? Da sim, e com sobra de tempo. Vem comigo que eu vou explicar qual foi nosso roteiro pela região e como cobrimos a maioria dos passeios no mesmo dia.

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Rotatória em Frente à Estação Tigre

Saindo da estação Tigre, na rotatória vá para a esquerda, atravessando a ponte que cruza o rio. Se mantenha a direita pela Rua Lavalle, e vá caminhando por ela (margeando o rio) até chegar à Av. Victorica. Pronto, chegamos à primeira parte de nosso roteiro que é o Passeio Vitoriano. Prepare-se para dar umas boas pernadas por aqui. Contornando toda a margem do rio, vamos em direção ao Museo de Arte de Tigre, que é onde termina nossa primeira caminhada.

Por que ir à pé? Pelo simples motivo de poder observar uma das melhores paisagens do local.

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O passeio é repleto de jardins, praças e bancos com um estilo único e uma paisagem fantástica. Além disso, é o local onde você encontra diversos restaurantes, algumas pousadas e hostels e alguns do museus do local. Como por exemplo o Museo Naval, na foto abaixo:

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Sem deixar de mencionar nosso destino final que é o Museo de Arte de Tigre. A visita ao prédio por si só já vale a caminhada e é um dos mais imponentes da região:

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Não deixando de lado os museus, chegamos ao final do Passeio Vitoriano. E como disse, ele é totalmente oposto às demais atrações do local.  Isso quer dizer que será necessário voltar até próximo à Estação Tigre. Antes de cortar os pulsos de raiva: ao lado do Museo de Arte existe um pequeno Porto Fluvial onde existem Barcos-Taxis. E foi assim que embarcamos de volta até o Puerto de Frutos. A “corrida” custa algo em torno de 350,00 ARS (próximo de R$ 75,00). Mas esse preço não é por pessoa, e sim por viagem, e cada barco pode levar entre 5 à 6 pessoas. Então é um preço bem justo.

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Pegamos nosso “barco-taxi” até o Puerto de Frutos. Um dos locais mais visitados de Tigre, por ser um centro comercial voltado à produtos locais. De plantas à vinhos, existe muito o que encontrar por lá. Lojas enormes dão espaço ao mercado local de Frutas, Legumes e Condimento, mas também é onde se encontra um enorme comércio voltado à objetos de Madeiras e Artesanato. Muitas das lojas vendem artigos decorativos e até móveis.

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Após as compras, fomos almoçar e apesar de ter alguns restaurantes dentro do Puerto de Frutos, decidimos arriscar e conhecer um fora, localizado na rua em frente, chamado Los Isleños. Comida boa, feita na hora e atendimento dentro do esperado. Os assados todos preparados na grelha, que fica à vista dos clientes e o preço é bem justo, se considerarmos que estamos em uma região trística. Muitos dos lugares da região oferecem pratos “executivos” ou promoções em pratos para duas pessoa.

Depois do almoço é hora de descansar continuar a andança por Tigre, agora partindo para a Estação Fluvial (Estación Fluvial). É hora de você escolher um passeio de barco pelo Delta e pelos rios da região.

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Como disse lá no começo, existem diversos tipos de passeios. Alguns só pelo Passeio Vitoriano, outros que vão mais além e mais completos, que passam pelas diversas ilhas da região. Todos são muito interessantes. É recomendado fazer os que circulam todas as ilhas. Se no começo do passeio passamos pela rua Av. Victorica a pé, agora parte do passeio por ela será por barco.

Vale a pena passar duas vezes no mesmo local? Com certeza sim. Na primeira vez percorremos todo o local, vimos a decoração, praças etc. Agora você passará lá de barco com um guia, e lembre-se que esse pequeno trecho é apenar parte do percurso todo.

Ao final você volta para a Estação Fluvial e é hora de começar a se despedir de Tigre. A Estação Fluvial está à poucos metros da Estação de Trem Tigre. Com isso, consegue-se cobrir facilmente todos os pontos turísticos do local.

Se ainda sobrar um tempinho, ou estiver com disposição, estique até o Parque de La Costa, onde tem a famosa montanha russa e a roda gigante de Tigre (você pode vê-la na foto do barco ali em cima). Só abre aos finais de Semana das 11:00 às 19:30.

E se quiser arriscar a sorte por que não um Cassino? Vá ao Trilenium Casino, que fica ao lado do Parque.

Resumo

Ir ao Tigre é um passeio que não deve ficar de fora de seu roteiro quando for à Buenos Aires. É um daqueles lugares que merecem um dia todo e com certeza vai valer muito a pena. É um ponto bem turístico, então espere filas e aglomerações nos finais de semana.

Optamos por conhecer o local durante a semana, quando ele é mais tranquilo e sem muita gente, e foi bom pois pudemos olhar tudo com calma e fazer as coisas sem correria. Não fomos ao Parque de La Costa, pois ele estava fechado, mas também era algo que não estava em nosso planejamento conhecer desde o início. Mas é uma boa opção se você viaja com crianças.

Assim como nós, quem sabe você não faz amigos por lá? No nosso caso fomos “adotados” por esse simpático cachorro, que nos seguiu durante todo o percurso e se não estivéssemos tão longe de casa, teríamos trazido ele junto para o Brasil. Nos despedimos e quem deixamos ele para adotar outros turistas pelo local. 😉

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